AZUL ( A Zebra Ultrapassou o Leão) de Marta Cardoso
- Patrícia Silva Roma
- 19 de dez. de 2022
- 1 min de leitura
Eu era a zebra presa nas tuas presas –
cansada de ser caçada –
porque sempre que me apanhavas
era como se a minha vida não valesse de nada.
Correr não me levava a lado nenhum
Pois acabava sempre magoada.
A certo ponto, desisti e fiquei quieta
Esperando que não me notasses
E a dieta se tornasse aborrecida e obsoleta,
Mas eu já deveria saber que
Predadores são predadores porque vão atrás
De quem não se consegue defender.
Desistir nunca fora uma opção antes, eu juro
Eu estava exausta de correr tão depressa em vão
E parecer que corria em contramão
Até que finalmente, encontrei o azul-escuro:
Uma força interior nunca vista
Um muro duro à primeira vista
Mas feito de pura fúria e incúria.
Hoje, oiço o mar azul-claro
E observo o céu azul-escuro – em silêncio –
De muro rebaixado e banhada em paz interior,
Vivenciando o posfácio da minha história de vida,
Depois de ser julgada inferior e encher a cabeça de dúvida.
Já não sinto fúria, apenas pena
Porque a zebra ultrapassou o leão
Regenerei as minhas feridas de pele rasgada
E saí campeão.




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