top of page

Versões de Marta Cardoso

Não sei quem sou.

Perdi-me em tantas versões de mim,

Que ontem nem me reconheci

E quem por mim passou

Nem olhou para trás.


Imensas, demasiadas

Para além da complexidade intrínseca da humanidade

Criadas a partir de experiências desassociadas,

Porém existem uma certa cumplicidade entre elas

E sou eu quem sofre as sequelas.


Umas mostram a face ao mundo,

Outras mantêm-se na escuridão da lua

Num mundo sujo e moribundo.


Falha-me compreender quem sou

Essa pergunta é demasiado vaga

Não é como saber onde estou

É uma resposta que divaga.


Nunca me vou abrir o suficiente

Nunca sei o que dizer

Quando falo demais, sou transparente

Quando falo menos, não sei o que fazer.


Entro em pânico porque

Sempre que me conhecem

Afastam-se porque sou demasiadas ao mesmo tempo

Já nem cabem

E eu nem as conheço, mas sei que não são boa companhia

Ou não estaria sozinha no mundo

Como me foi destinado

A um canto, aqui, encolhida.


 
 
 

Comentários


bottom of page