Versões de Marta Cardoso
- Patrícia Silva Roma
- 19 de dez. de 2022
- 1 min de leitura
Não sei quem sou.
Perdi-me em tantas versões de mim,
Que ontem nem me reconheci
E quem por mim passou
Nem olhou para trás.
Imensas, demasiadas
Para além da complexidade intrínseca da humanidade
Criadas a partir de experiências desassociadas,
Porém existem uma certa cumplicidade entre elas
E sou eu quem sofre as sequelas.
Umas mostram a face ao mundo,
Outras mantêm-se na escuridão da lua
Num mundo sujo e moribundo.
Falha-me compreender quem sou
Essa pergunta é demasiado vaga
Não é como saber onde estou
É uma resposta que divaga.
Nunca me vou abrir o suficiente
Nunca sei o que dizer
Quando falo demais, sou transparente
Quando falo menos, não sei o que fazer.
Entro em pânico porque
Sempre que me conhecem
Afastam-se porque sou demasiadas ao mesmo tempo
Já nem cabem
E eu nem as conheço, mas sei que não são boa companhia
Ou não estaria sozinha no mundo
Como me foi destinado
A um canto, aqui, encolhida.




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